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Heliópolis - Gleba A

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O objetivo essencial é propor o entendimento de que a habitação de interesse social não é um problema de quantidade, nem de custo, nem de tecnologia, o objetivo essencial é a construção da cidade, e não se baseia na imposição de um modelo pré-estabelecido e sim na geração de modelo próprio criado sobre a observação que o próprio local nos revela.


Ações por infiltração

Construir a cidade significa inserir estes empreendimentos na trama ativa e legível da cidade. Portanto, estamos cientes e convencidos que esta modalidade de estabelecer cunhas de infiltração é uma nova maneira de reflexão para um projeto urbano sobre áreas urbanas críticas.

Nosso raciocínio não é a procura de uma arquitetura contextual em que os projetos imitam ou se inspiram nas estruturas resultantes da miséria como um paradigma a ser promovido. Os produtos da pobreza não devem ser modelos de trabalho.

Evitamos os raciocínios produtos do espírito burguês da esmola que associa a pobreza com as cores, (conhecido como estudos cromáticos) resultando num jardim da infância; um modo grosseiro de corrigir outros valores de arquitetura com a nefasta conseqüência de estigmatizar seus habitantes.


Diagnósticos

Em geral não existe a visão do projeto como instrumento científico de invenção de propostas, pois este não é necessariamente uma resposta à um problema e sim uma interpretação do mesmo.

O projeto não é a conseqüência de índices, nem apenas uma observância às legislações, nem o “espelho” de uma diretriz de diagnóstico. A proposta pode ser até oposta em relação aos resultados esperados, pois tenta dar um salto interpretativo que não parte dos dados, parte de um questionamento deles.


A geografia

A geografia se configura, portanto, como o grande vetor quase sempre invisível, e torná-la visível é o principal exercício de projeto, pois a cidadania está irremediavelmente ligada à legibilidade da geografia e a infra-estrutura pública.


O urbanismo

O urbanismo quase sempre é confundido com o paisagismo e vice e versa, ou seja, se o paisagismo define as pavimentações, escadas, arborização e os arruamentos; e as vielas estão sendo definidas pela engenharia de saneamento, tampouco podemos confundir o urbanista com o especialista no uso econômico da legislação.

Afinal, qual é a tarefa do urbanista?

Urbanista é aquele que dá sentido a uma ação de projeto, aponta a objetivos precisos e utiliza o desenho como materialização destes objetivos. Esta é a essência que é de responsabilidade estrita e precisa do urbanista, que precede qualquer outra decisão política e de engenharia.


Croquis
A escala do novo e a solidariedade com a preexistência.

Adotamos o território existente como uma base relativamente consolidada de um valor indiscutível que não pode ser rejeitado apenas porque não se equipara a estrutura formal da cidade formal.


Plantas
Inexistência de áreas residuais

O modernismo nos deixou uma herança que está curiosamente enraizada no imaginário coletivo, que nada tem a ver com a realidade fundiária do histórico da cidade formal. Quando aparece uma possibilidade onde a parcela fundiária o permite, os arquitetos não conseguem fugir do ideário dos blocos como objetos isolados, usando a gleba ou o local apenas como base em que as interfaces com a vizinhança existente não são consideradas.


As arquiteturas

É comum ouvir a afirmação: ‘o arquiteto não deve impor uma estética’, ou seja, nesta afirmação se pressupõe que a arquitetura é um bem de consumo em que a estética é um acréscimo decorativo, ou uma gratuidade inerente à uma classe social burguesa.

Estas considerações do medo ao desenho são comuns e escondem sempre uma incompetência técnica para enfrentar esta complexidade.

Se alguém tem direito à arquitetura e ao desenho urbano são precisamente as classes menos privilegiadas sediadas sobre as áreas excluídas de toda urbanização.

Local:
São Paulo, SP

Data:
2004

Cliente:
Prefeitura Municipal de São Paulo

Área de intervenção:
60.000m²

Área construída:
30.000m²

Consórcio:
VIGLIECCA&ASSOC + High Tech Consultants

Arquitetura e Urbanismo:
VIGLIECCA&ASSOC
Hector Vigliecca, Luciene Quel, Ruben Otero, Ronald Werner, Neli Shimizu, Lilian Hun, Thaísa Fróes, Ana Carolina Penna, Gabriel Farias, Paulo Serra, Luci Maie

Engenharias e instalações:
High Tech Consultants

Fotos:
Azul Serra

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