Paraisópolis
Operações de projeto
Definição física dos fundos de vales
O Córrego Antonico aparece como uma diagonal à malha cartesiana imposta. Esta aparente irregularidade de implantação é acentuada com um desenho extremo (um travessão retilíneo), transformando-se numa “tensão” de valor urbano que coincidirá com uma centralidade.
As remoções necessárias serão substituídas por novas construções para habitação, serviços e comércio.
Sobre o Córrego do Brejo as remoções darão lugar a um parque que estará em continuidade à reserva existente. A avenida coletora proposta determina o limite leste do parque com construções novas para uso habitacional, comercial e serviços estabelecendo assim uma segunda centralidade de lazer e serviços.
Redefinição da malha viária
A partir da definição das centralidades e as ações de remoção, o viário que as integra estará conectado com grande visibilidade com as estruturas viárias transversais e as coletoras. A malha existente estará agora conectada com estas diagonais que se estabelecem então como coletoras e distribuidoras internas
Em volta dos grotões, ruas perimetrais na crista das curvas de nível atuarão como vias de acesso e estarão conectadas com a malha existente, permitindo assim uma mobilidade interna mais adequada.
Remoções nas áreas de risco
Estas áreas que acabam coincidindo com as zonas de intervenção nos fundos de vale e de alta declividade são suporte da maioria das construções impróprias. Assim o projeto propõe sempre substituições, mantendo a maioria de seus habitantes nos mesmos espaços de convivência.
Permeabilização da Área Central
Nesta área, onde ainda predomina o traçado viário original, se comprova que sempre nos perímetros dos quarteirões as construções apresentam melhores investimentos, evidentemente porque os moradores adotam um maior compromisso com o valor público sobre o qual se relacionam. Dessa forma se optou por criar novos acessos ao interior das quadras a fim de multiplicar o contato do miolo com os espaços públicos, estabelecendo um compromisso social que induzirá uma autotransformação da área.
Novas edificações para habitação
As ações derivadas das estratégias anteriores representam um total de remoções de domicílios da ordem do 15% do total. Isto supõe que o projeto deve contemplar a provisão de aproximadamente 3000 novas habitações que, respeitando as aspirações dos moradores, deverão estar localizadas na própria área.
Foi descartada a possibilidade de utilizar os modelos de habitação popular utilizados habitualmente pela administração publica por não apresentarem aptitudes para responder às exigências que o projeto urbano impõe à arquitetura. Foram desenvolvidos quatro grupos de tipologias habitacionais para responder a outras tantas condicionantes de localização:
Edifícios para a área central
Edifícios para as encostas
Edifícios para os fundos de vale
Edifícios para as bordas
Local:
São Paulo, São Paulo
Data:
2004-2005
Cliente:
Prefeitura Municipal de São Paulo
Área de Intervenção:
100 Hectares
Consórcio:
Hagaplan – Sondotécnica
Arquitetura e Urbanismo:
Hector Vigliecca, Luciene Quel, Ruben Otero, Ronald Werner, Neli Shimizu, Lilian Hun, Thaísa Fróes, Ana Carolina Penna, Rodrigo Munhoz, Gabriel Farias, Manuela Cabral, Ursula Troncoso, Paulo Serra, Luci Maie


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