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SESC Nova Iguaçu

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Os pontos conceituais do novo “paradigma da complexidade”, da forma com que desenvolvemos o trabalho apresentado, são:

1. Reconhecimento da organização territorial e espacia da cidade, estruturada a partir de quadras, lotes e sistema viário, gerando uma forma urbana reconhecível, que corresponde a um repertório sociocultural também consolidado. O projeto deve levar estes fatores em consideração, na busca de complementos com esta forma já existente.

2. Articulação do projeto a partir de uma leitura do lugar e de suas características físicas e ambientais, sendo que eventuais deformações no desenho resultem não da arbitrariedade do arquiteto, mas na configuração espacial do lugar de implantação da obra.

3. Percepção do programa do edifício como a expressão de um conjunto de atividades humanas associadas a um programa maior, da questão urbana, na medida em que fazem parte das hierarquias existentes entre as esferas do público e do privado.

4. Uso de tecnologias construtivas mais adequadas ao caso específico, considerando como fatores de escolha os custos, a mão-de-obra disponível, os prazos de execução, os aspectos de conservação e manutenção e as características socioculturais do usuário.

5. Utilização de tipologias arquitetônicas dentro do repertório sociocultural consolidado, como um dos pontos de partida para o projeto, buscando um grau de familiaridade maior por parte dos usuários.

6. Reaproveitamento, sempre que seja viável econômica e funcionalmente, de edifícios ou parte de edifícios existentes, como contribuição ao fortalecimento de uma memória coletiva, fundamental para a estruturação de uma cultura.

7. Por último, respeito em relação ao meio ambiente e aspectos importantes do patrimônio paisagístico e ecológico dos lugares de intervenção, em sintonia com um novo humanismo, voltado a uma relação harmoniosa entre o homem e a natureza.

Neste projeto, objeto de um concurso nacional de anteprojetos organizado pelo IAB/RJ, estas preocupações foram amplamente exploradas.

Assim, a implantação do conjunto arquitetônico do centro se evoluiu a partir de uma leitura do terreno, sua topografia acidentada, seus limites irregulares e sua peculiar situação na trama urbana local.

O projeto prevê a clara diferenciação de duas áreas no terreno: a concentração dos edifícios em uma concepção de pavilhão em sua parte mais elevada, criando-se uma sequência de espaços públicos, semi-públicos e privados com relação ao sistema viário do entorno; e a liberação de sua parte plana para as atividades esportivas ao ar livre, estabelecendo uma frente de espaços abertos entre a Rodovia Presidente Dutra, com seu forte tráfego de veículos e a atividade do Centro.

O principal edifício do conjunto secciona, conscientemente, as curvas de nível do terreno em declive, conseguindo, desta maneira, um impacto mínimo sobre a topografia local, na medida em que a sequência de desníveis é aproveitada para a instalação de pequenas arquibancadas para as quadras cobertas deste grande pavilhão. O espaço resultante é bastante propício para vários usos (shows, festas, projeções, eventos) em função desta organização em trechos horizontais do interior do edifício.

Os demais pavilhões se articulam com os limites do terreno através de eixos centrais que se apoiam, sempre de forma perpendicular, em suas linhas de arremate. Desta maneira, a irregularidade espacial do conjunto resulta diretamente do suporte físico pré-existente do terreno.

Os edifícios foram projetados a partir de reconhecíveis: Galpão industrial para a grande área das quadras abertas, Edifício-faixa para a administração, Teatro para o edifício das atividades culturais e auditório e Pavilhão para o restaurante e lanchonete junto ao setor aquático.

Esta ordem/desordem do conjunto lhe confere, a nosso entender, um caráter de complexidade urbana sem modismos ou artifícios, lo que talvez possa explicar a boa aceitação do projeto por todo o público.

Local:
Nova Iguaçu, Rio de Janeiro

Data:
1985-1992

Cliente:
SESC Rio de Janeiro

Área de intervenção:
45.300m²

Área construída:
16.300m²

Concurso:
Concurso Nacional, 1º Prêmio

Arquitetura e Urbanismo:
VIGLIECCA&ASSOC
Hector Vigliecca, Bruno Padovano, Hélio Rorato, Antônio Carlos Sant’Anna, Caetano Del Pozzo, Célia Regina Bernardi, Cláudia Nucci, Elza Tabaca, Flávio Henry, Givaldo Medeiros, Haroldo Jorge Honmori, Marcos Mendes, Marcelo Barbosa, Paulo Fujioka, Sérgio Camargo, Valério Pietraroia, Jean Massa, Manuel Pedroso.

Estrutura de concreto:
Júlio Kassoy, Mário Franco

Estrutura de madeira:
Jorge Kurken Kurkdjian, Jorge Zaven Kurkdjian

Fundações:
Consultrix

Instalações elétricas e hidrossanitárias:
Lecil

Paisagismo:
Sidney Linhares, Fernando Chacel

Luminotécnica:
Esther Stiller, Gilberto Franco

Acústica:
Igor Sresnewsky

Teatro:
Aldo Calvo, Marcos Flaksman

Equipamentos de cena:
Pedro Lessa, Tecon, Renê Magalhães

Cozinhas:
CT

Comunicação visual:
Ivan Ferreira

Piscinas:
Naiades

Construção:
Luiz Otávio Lima, José Luiz Franco, Odílio Pollari Neto, João Fortes Engenharia

Gerência de obra:
Planem

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