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Nova sede da CAF

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A área apresentada para o concurso de projeto para a nova sede da Corporação Andina de Fomento, um Banco de Desenvolvimento da América Latina, em Caracas, Venezuela, é parte de um trecho consolidado da cidade, junto à Praça de Altamira e da estação de mesmo nome do metrô.

Em um dos contextos mais característicos da cidade, solicitava-se especial atenção a critérios de sustentabilidade, qualidade urbana e ambiental. A nova sede deveria, também, representar possibilidades novas de espaços de uso público.

A ideia de narrativa que utilizamos aparece aqui associada ao resgate de um lugar urbano: mais que o ícone arquitetônico (o objeto, que corre o risco de enfraquecimento pela sedutora e supérflua imagem a que pode estar reduzido), o valor dado à vivência e à experiência humana no território da cidade, pelas surpresas, pelo percurso necessário, pelas interfaces (metrô, praça, CAF) que se procura sugerir.

Conforma-se uma narrativa, um texto, a condição de se construir uma estória pela experiência das pessoas com o lugar.

No projeto, abrigam-se programas e espaços públicos de forma distinta da rígida leitura e estrutura — que praticamente se impõem — dadas pelo traçado urbano, eixo de simetria e edifícios do lugar em questão, as praças Francia e Altamira. Ao invés de preencher esse território com o insubstancial dado pela imagem, pelo ícone, preencher com volumetrias invertidas que o escavam e, mais que distração, desencadeiam vivências. Essas volumetrias invertidas aparecem como hipótese contrária à estimulada pelo zoneamento (que permitia, para a área, edifícios de significativa altura).

É para esse território — um vale artificial estratificado, abrigado dos fluxos e da competitividade da forma — que foram propostos outros fluxos e outras dinâmicas espaciais.


As estratégias, o território

Sem hierarquia, edifícios e praças, implantados nesse vale artificial e de apropriação livre, representam continuidade das calçadas e das atividades sugeridas pelos programas e conformam uma identidade diversa. Essa identidade é dada pelos blocos fragmentados que articulam percursos entre os espaços construídos. Mais que blocos com dimensões monumentais, a fragmentação das áreas construídas e livres como estratégia potencializa possibilidades urbanas e arquitetônicas. Muitos são os acessos, várias são as composições de uso do espaço construído e livre, diversos são os planos verticais e horizontais dispostos à luz e à ventilação, muitas são as articulações com as estruturas existentes, com a praça anexa, com as vias e calçadas laterais, com o acesso à estação.

O subsolo é cota de valor público, uma área urbana inferior, comportando a articulação com o metrô e a praça do auditório.

A cobertura verde — suporte de um filtro de 50% da radiação solar direta — conforma outro aspecto da trama proposta: busca responder às questões ambientais e de sustentabilidade.


A trama aberta

A trama aberta horizontal também é matriz — como ideia — do preenchimento volumétrico do conjunto implantado: dadas as possibilidades de transformação, ampliação e mudanças no uso, na regulamentação municipal ou das necessidades programáticas, já previstas pelo concurso, o acréscimo de áreas construídas foi proposto considerando-se a fragmentação do programa também no eixo vertical. Volumes construídos no terceiro andar, por exemplo, alternam-se com terraços, pátios e praças.

A condição dada pela trama aberta sugere a narrativa: vê-se e vivencia-se as brechas, olha-se através, entre um acontecimento e outro e, às frases iniciadas, às histórias contadas e ao registro da experiência associam-se as tramas do vazio, do silêncio. Menos pictórico e mais textual, o projeto agrega as condições urbanas dadas e, a elas, atribui algumas outras possibilidades, como bem cabe a uma boa história que se conta junto.

Local:
Caracas, Venezuela

Data:
2008

Cliente:
Corporação Andina de Fomento

Área de intervenção:
52.000 m²

Concurso:
Concurso Internacional, Menção Honrosa

Arquitetura e Urbanismo:
VIGLIECCA&ASSOC
Hector Vigliecca, Luciene Quel, Ruben Otero, Ronald Fiedler, Lizete Rubano, Neli Shimizu, Thaisa Froés, Adda Ungaretti, Ignacio Errandonea, Camila Dibaco, Fabio Pittas, Pedro Guglielmi, Gabriella Callejas, Michelle Castro, Fernando Píriz, Paulo Serra, Luci Maie

Acondicionamento natural:
Anésia Barros, Alexandra Prata, Leonardo Monteiro

Perspectivas:
Emilio Magnone, Paco Hernández, Lucas Mateo

Maquete:
Art maquetes

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